terça-feira, 19 de setembro de 2017

O CRIADOR DO VINHO E A PRIMEIRA HARMONIZAÇÃO

        Tudo começou com o fato de Deus ter-se arrependido de ter criado o homem por causa da corrupção generalizada e da maldade ter tomado conta da terra (qualquer semelhança com os dias de hoje...). E o Senhor estava tão furioso que resolveu destruir não só a humanidade como a toda a vida que havia na terra. As plantas e os animais -dos répteis que rastejam no chão às aves que voam no céu. E ficou satisfeito com a lambança: "Destruímos toda a carne em que há espírito de vida sob os céus".
        
        Mas Deus ao mesmo tempo em que decidiu castigar a humanidade, arquitetou com a ajuda de Noé e sua família um novo plano para recriar a terra e dar uma nova chance à humanidade.
     A história da arca de Noé todos conhecem. Com sua pequena família constituída de seus três filhos e respectivas mulheres, Noé abrigou na arca um casal de cada bicho vivo. Deve ter estocado uma muda de cada planta também. Depois do Dilúvio, a arca de Noé estacionada no monte Ararat, Deus já arrependido de ter amaldiçoado a terra por causa dos homens, de ter ferido todo o ser vivente, disse a Noé: "Multiplicai-vos e enchei a terra!".
   Deus sempre tem planos para a raça humana. Prova disso são as diversas alianças que ele celebrou com o homem que burlou todas como que a dizer: "Não adianta, Senhor, sou um caso perdido, sem salvação". E Deus celebrou com Noé uma nova aliança que contemplava os bichos e as plantas, ele prometeu a Noé que não mais destruiria os seres vivos por causa do homem. O arco-íris ficou sendo o símbolo desta nova aliança de Deus com os homens, os bichos e as plantas.
     E como que numa manifestação de alegria para comemorar a nova era, livre de corrupção, Noé iniciou sua vida de agricultor plantando uma vinha. Marinheiro de primeira viagem, Noé, depois de ter criado o vinho, exagerou na comemoração (bebemoração) e bebeu até se embriagar. Falou sozinho e sob sua tenda tirou a roupa ficando nu em pelo. Seu filho de nome Cam viu a cena e correu para avisar os irmãos Sem e Jafé. Estes levaram um manto para Noé e tiveram o cuidado de virar o rosto para não ver a nudez do pai. 
      Quando passou o porre, Noé ficou uma fera com o que fizera Cam e o amaldiçoou ao mesmo tempo em que abençoou seus irmãos.
      No final das contas resta a interpretação de que o vinho, a despeito do pequeno escândalo da embriaguez de Noé, restou como um fato positivo para a humanidade. Símbolo de alegria e da reconciliação de Deus com a humanidade. Como diria Benjamin Franklin muito tempo depois: "O vinho é a prova definitiva de que Deus nos ama e quer nos ver felizes".
      A terra depois de maculada pelo pecado renasce contemplada por uma bebida que "alegra o coração" como o testifica o Salmo 104. 15 (...) "Senhor Deus meu, tu és magnificentíssimo. (...) Tu que fazes sair as fontes nos vales (...) para fazer sair da terra o pão (...), o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto".
     Este Salmo apresenta-nos a harmonização primeva: Vinho, pão e azeite de oliva.
     Deus seja louvado!


sábado, 4 de fevereiro de 2017

Vinho e cocaína

Vinho e cocaína.

Desde 1860, quando o químico alemão Albert Nieman conseguiu isolar o componente ativo das folhas de coca, até sua proibição no século XX, várias propriedades terapêuticas foram atribuídas à cocaína.

O vinho favorito dos Papas Pio X e Leão XIII, por exemplo, continha cocaína em sua composição. Era chamado de Vin Mariani e foi inventado em 1863.

A bebida era preparada originalmente com vinho de Bordeaux e folhas de coca, mas, posteriormente, passou-se a utilizar cocaína já processada em sua confecção. O álcool presente no vinho funcionava como diluente e ativava a substância estimulante das folhas.

Afirmava-se que o consumo regular do elixir trazia energia, vigor e restituía a saúde em casos de debilidade crônica. Além disso, dizia-se que ele prevenia a malária e a gripe, era um antidepressivo eficaz e um analgésico poderoso.

Os cronistas da época contam que o Papa Leão XIII sempre carregava consigo um frasco cheio com a bebida. O pontífice chegou a dar uma medalha do Vaticano ao seu criador, Don Angelo.

A venda do Vin Mariani foi proibida em 1914, depois que familiares dos viciados iniciaram uma campanha contra a droga. 

Fonte: Blog Supercurioso.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

OMAR KHAYYAM O POETA DO VINHO

Omar khayyam (1048-1131) foi um poeta, matemático, filósofo (foi discípulo de Avicena) e astrônomo persa. Ele era bom em todas essas áreas de conhecimento. Sua obra mais importante foi um tratado de álgebra. No ano 1074 ele fez uma reforma do calendário persa que ficou tão preciso que acusou um erro de um dia em 5 mil anos. Mas Omar Khayyam se imortalizou graças à sua poesia. Ele é o autor de Rubaiyat que poderíamos chamar de uma coletânea de odes ao vinho. As Rubaiyat constituem 170 pequenos poemas. Na maioria deles o binômio vinho e mulher está presente (cá pra nós as duas melhores coisas desse mundo). Pretendo colocar aqui todos os que falam de vinho. Minhas fontes são duas traduções a de um brasileiro: Torrieri Guimarães e outra do  português Fernando Castro. Como havia alguma diferença entre as traduções eu editei e apresento para vocês a forma que me pareceu mais bonita.

CINCO
    Uma vez que ignoras o que te reserva o dia de amanhã,
    procura ser feliz, hoje.
    Pega uma garrafa de vinho, senta-te ao luar e bebe
    tendo em vista que talvez amanhã não vejas a luz da lua.
      
SEIS
    Alguém se deleitará, diariamente lendo o Alcorão?
    Tal livro supremo os homens o lêem algumas vezes.
    Já nas bordas de todas as taças de vinho encontra-se
    inscrita uma máxima de sabedoria que todos nós
    somos atraídos a degustar.

SETE
     O nosso tesouro? O vinho.
     O nosso palácio? A taberna.
     Os nossos fieis companheiros?
     A sede e a embriaguez.
     Ignoramos o medo, por sabermos
     que as nossos corações,
     nossas almas, nossas taças e roupas
     maculados pelo vinho, nada têm a temer
     da terra, da água ou do fogo.

ONZE
     Toda a minha juventude refloresce, hoje!
     Vinho! Vinho! Que as suas chamas me consumam!
     Vinho! Vinho! Não importa qual...Não sou exigente.
     O melhor deles, creiam, achá-lo-ei amargo como a vida.

DEZESSEIS
      Amiga, nada mais me interessa.
      Traz-me vinho!
      Esta noite, a tua boca é a mais bela rosa do universo.
      Vinho! Rubro como tua face
      e os meus remorsos tão leves como as ondas dos teus cabelos.

DEZENOVE
       Tu que bebes vinho, num garrafão.
        Ignoro quem te criou.
        Somente sei que tu conténs
        três canecas de vinho
        e que um dia a morte te levará.
        Então pergunto a mim mesmo
        por que razão tu foste criado?
        e por que foste feliz?
        e por que ao pó retornaste?

VINTE E CINCO
        Na primavera gosto de sentar-me
        na orla de um campo florido.
        E quando acompanhado de uma bela moça
        e de uma taça de vinho,
        A última coisa que quero saber é da minha salvação.

TRINTA E UM
        Ninguém compreende o mistério.
        Ninguém é capaz de ver o que ocultam as aparências.
        As nossas casas são provisórias, exceto a última: o cemitério.
        Amigo, bebe vinho! E dá um tempo nas elucubrações.

TRINTA E CINCO
        Eu estava sonolento, quando
        a Sabedoria me disse:
        "As rosas da felicidade
        nunca perfumam o sono.
        Em vez de te abandonares a esse irmão da morte,
        bebe vinho! Tens a eternidade para dormir".

QUARENTA E TRÊS
        Bebe vinho! Hás de receber
        a vida eterna com ele. O vinho!
        O único filtro que pode restituir-te a juventude.
        Juventude! divina estação das rosas e dos bons amigos.
        Desfruta desse instante fugaz que é a vida.

QUARENTA E QUATRO
        Bebe vinho, porque dormirás longamente sob a terra,
        sem mulher e sem amigos.
        Confio-te um segredo: rosas murchas não voltam a florir.

CINQUENTA E DOIS
       Não terás vivido inutilmente
       se tiveres incrustado no teu coração a rosa do amor
       ou se tiveres procurado ouvir a voz de Deus
       ou se tiveres erguido tua taça de vinho
       sorrindo de prazer.

CINQUENTA E QUATRO
       Um jardim, uma mulher insinuante, a taça cheia de vinho,
       meu desejo e minha amargura: meu paraíso e meu inferno.
       Alguém, por acaso, sabe o que é céu ou inferno?

CINQUENTA E SEIS
      Vida que segue... Que restou
      de Bagdá ou do Império Romano?
      O menor toque é fatal para a rosa que de manhã se abriu.
      Bebe vinho e contempla a lua lembrando das civilizações
      que a rosa viu entrar em decadência.

SESSENTA
      Sucumbiremos no caminho do amor.
      O Destino nos atropelará.
      Oh! querida, Oh! minha taça encantada levanta-te
      e dá-me teus lábios, antes que eu volte ao pó.

SESSENTA E UM
      Da sorte na vida sabemos só o nome.
      Nosso amigo mais velho é o vinho novo.
      Com o olhar e as mãos acaricia o único bem que não nos decepciona:
      O odre cheio do néctar das vinhas.

SESSENTA E CINCO
      Os homens tacanhos e os vaidosos
      fazem distinção entre alma e corpo.
      Afirmo apenas que o vinho acaba com as preocupações
      e nos proporciona paz.

SESSENTA E OITO
       A vida passa qual rápida caravana.
       Desce do cavalo e procura ser feliz.
       Querida, não fique triste.
       Traz vinho que a noite já vem.

SESSENTA E NOVE
        Ouvi dizer que os amantes do vinho estão condenados.
        Não há na vida verdades, mas grandes mentiras.
        Se os amantes do vinho e do amor forem para o Inferno,
        o Céu ficará vazio.

SETENTA
        Estou velho. Minha paixão
        por ti leva-me ao túmulo,
        pois não cesso de encher de vinho minha grande taça.
        A minha paixão por ti venceu a razão da minha razão.
        O tempo desfolha indiferente a bela rosa que eu possuía.

SETENTA E CINCO
         Vinho! Meu coração enfermo pede ardentemente este remédio.
         Vinho! De aroma almiscarado! Cor de rosas vermelhas!
         Vinho! Para apagar o fogo de minha tristeza!
         Vinho! E tua harpa de cordas de seda, querida!

SETENTA E OITO
         Dedica às luzes da aurora o vinho de tua taça,
         semelhante à tulipa da primavera.
         Dedica ao sorriso de um adolescente o vinho de tua taça,
         semelhante aos lábios dele.
         Bebe à vontade e esquece que o peso da Dor em breve te
         derrubará talvez para sempre... Bebe!
                                                                       

SETENTA E NOVE
         Vinho! Vinho em grandes goles!
         Que pressione as minhas veias!
         Que esquente a minha cabeça!
         Taças... não falem! É tudo mentira!
         Taças... não demorem! Estou ficando velho...

OITENTA
         De meu túmulo vai exalar um tal aroma de vinho,
         que os visitantes ficarão tontos!
         Uma aura de paz envolverá o meu jazigo,
         que os amantes não poderão afastar-se dele.

OITENTA E DOIS
         Dizem-me: "Não bebas mais Khayyam"!
         Retruco: Quando bebo entendo a voz das rosas,
         das tulipas e dos jasmins e até o que não diz minha amada.

OITENTA E TRÊS
         Em que pensas, amigo? Nos teus antepassados?
         Deles resta apenas pó.
         Pensas nos méritos deles? Não me faças rir.
         Toma este copo e vamos beber,
         percebendo em paz o grande silêncio do universo.

OITENTA E QUATRO
         A aurora encheu de rosas o firmamento.
         No ar puro ouve-se o canto do último rouxinol.
         O aroma do vinho é leve.
         E pensar que neste mundo aloprados sonham com glórias e honrarias!
         Como são sedosos teus cabelos, querida.

OITENTA E SEIS
         Ò gladiador de corações, pega essa garrafa e esse copo!
         Vamos sentar-nos junto do regato.
         Esbelto adolescente de semblante claro,
         contemplo-te enquanto penso no devenir garrafa e copo
                                                                                           que tu és.
NOVENTA E DOIS
         Ao poderio de Gengis Khan, à glória de César,
         às riquezas de Salomão, eu prefiro uma jarra de vinho.
         Viva o amante que que geme de prazer
         e desprezo o hipócrita que murmura uma prece.

NOVENTA E SEIS
         Não deixes de colher todos os frutos da vida.
         Corre a todas as festas e escolhe as maiores taças.
         Não creias que Deus considere
         os nossos vícios ou as nossas virtudes.
         E não desprezes nada que te possa fazer feliz.

NOVENTA E NOVE
         Quando a sombra da morte me atingir,
         quando o meu paletó de madeira for abotoado,
         Chamarei por vocês meus amigos,
         levem-me até minha sepultura.
         E quando eu voltar a ser pó,
         moldem com minhas cinzas uma jarra
         e encham-na de vinho. Daí então
         despertarei de novo para a vida.

CEM
         Não me preocupa saber onde posso comprar
         o véu da Perfídia ou o da Mentira.
         Mas sempre ando a procura de bom vinho.
         Os meus cabelos já estão brancos.
         Cheguei aos setenta.
         Aproveito a ocasião para ser feliz hoje.
         Talvez amanhã já não tenha mais forças.

CENTO E SEIS
         Terás do vinho o seu calor.
         Ele te libertará das névoas do passado e das brumas do futuro.
         Te inundará de luz.
         Quebrará tuas algemas de prisioneiro.  

CENTO E TREZE
         Numa cantina, pedi a um ancião
         que me dissesse algo sobre os que já se foram.
         Respondeu-me: "O certo é que não mais retornarão,
         bebe teu vinho"!

CENTO E CATORZE
         Olha! Escuta! Uma rosa balança ao vento.
         Um rouxinol dedica-lhe um canto apaixonado.
         Uma nuvem estacionou nos oferecendo sua sombra.
         Bebamos o nosso vinho!
         Esquece que a ventania arrancará as pétalas da rosa,
         levará o canto do rouxinol, e até a nuvem que nos dá sombra.

CENTO E DEZESSETE
         Esta noite ou amanhã, talvez, tu já não existirás.
         É tempo de pedires vinho cor de rosa.
         (...)

CENTO E VINTE E UM
         As estrelas deixam cair pétalas de ouro.
         Por que o meu jardim ainda não está coberto?
         Assim como o céu verte flores sobre a terra,
         encho de vinho rubro a minha taça negra.

CENTO E VINTE E DOIS
         Bebo vinho tal como as raízes do salgueiro
         bebem as águas límpidas do regato.
         Deus quando me criou, sabia que eu haveria de beber vinho.
         Se eu me abstivesse, Ele seria imperfeito.

CENTO E VINTE E TRÊS
         Só o vinho pode te livrar de tuas dúvidas.
         Só ele te impedirá de hesitar entre tantas seitas e doutrinas.
         Não te separes, pois, do mago que possui o poder
         de te conduzir ao país do esquecimento.

CENTO E VINTE E SEIS
         O vinho tem a cor rosada.
         O vinho talvez não seja o sangue da vinha, e sim do roseiral.
         Essa taça não é de cristal, mas de azul celeste coagulado.
         A noite não é tão diversa do dia, é apenas a pálpebra do dia.

CENTO E VINTE E SETE
         O vinho proporciona aos sábios
         a embriaguez dos eleitos.
         O vinho devolve-nos a mocidade e tudo o que desejamos.
         Queima-nos como uma torrente de fogo,
         mas também é um refrigério para nossa tristeza.

CENTO E TRINTA E QUATRO
         Cansado de interrogar, em vão, homens e livros,
         pensei em interpelar a taça de vinho.
         Pousei meus lábios sobre os seus,
         e murmurei. "Quado eu morrer para onde vou"?
         Ela respondeu: "Bebe na minha boca, bebe intensamente.
         Jamais voltarás aqui".

CENTO E TRINTA E SETE
         Disseram que o vinho era o único bálsamo.
         Tragam-me todo o vinho do universo!
         O meu coração está tão ferido...
         Todo o vinho do universo...
          e que meu coração conserve suas feridas!

CENTO E QUARENTA E QUATRO
         Um pouco mais de vinho, doce amada.
         As tuas faces não têm ainda o esplendor das rosas.
         Não fique triste Khayyam!
         A tua amada está prestes a sorrir para ti.

CENTO E QUARENTA E OITO
         Dissimulo a minha dor,
         porque as aves feridas se escondem para morrer.
         Vinho! Ouve meus graçejos!
         Vinho, rosas, canto lírico
         e a tua indiferença à minha tristeza, ò bem amada.

CENTO E SESSENTA E SEIS
         Todos os reinos por uma taça de vinho!
         Todos os livros e toda a ciência dos homens
         por um suave aroma de vinho!
         Todos os hinos de amor pelo som do vinho sendo derramado nas taças.
         (...)

Aqui terminam as odes nas quais o vinho está presente. Só uma ou duas não entraram
por serem fraquinhas.

    

                                                                                                 
        






                                                                  


         






      

    

   



       
     

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O VINHO POR DRUMMOND QUANDO ERA MENINO


O vinho à mesa, liturgia.
Respeito silencioso
paira sobre a toalha.
A garrafa espera o gesto,
o saca-rolha espera
o gesto que há de ser lento e ritual.
Ergue-se o pai, grão sacerdote
e prende a garrafa entre os joelhos,
gira regira a espira metálica
até o coração do gargalo.
Não faz esforço,
não enviesa,
não rompe a rolha.
É grave, simples,
de velha norma.
Nítido espoca
o ar libertado.
O vinho escorre
sereno, distribuindo-se
em porções convenientes:
copo cheio, os grandes;
a gente, dois dedos.
Bebe o pai primeiro.
Assume a responsabilidade
sacra.
Já podemos todos
saber que o vinho é bom
e piamente degustá-lo.
Mas quem diz que bebo solene ?
Meu pensamento é o saca-rolha,
o sonho de abrir a garrafa
como ele - só ele - abre.
A roxa mácula no linho,
pecado capital.
Esse menino
não aprende nunca a beber vinho ?
Quero é aprender a abrir o vinho
e nem mesmo posso aspirar
ao direito de abrir o vinho
que incumbe ao pai e a mais ninguém
em nossa antiga religião.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O VINHO E A SAÚDE

O texto a seguir foi extraído do livro Tradição, conhecimento, e prática dos vinhos de autoria de Danio Braga e Celio Alzer. Danio foi o fundador da ABS -Associação Brasileira de Someliers e Celio o criador do Master of Wine (O Jogo do Vinho). Ambos são cobras em matéria de vinho.

            "Para que o vinho possa exercer uma ação benéfica sobre o organismo humano, deve ser bebido em doses moderadas. Não existe um consenso em relação à quantidade que pode ser consumida diariamente, mas a maior parte dos estudiosos considera razoável a dosagem de um grama de álcool por quilo corpóreo. Isso significa quase UM LITRO DE VINHO POR DIA, se o vinho tem 10º alcoólicos; ou uma garrafa de 750 ml, se se trata de um vinho de 13 gl, para uma pessoa de 70 kg.
            Por questões genéticas, certos indivíduos produzem maior quantidades de enzimas que combatem a ação do álcool. Pessoas mais acostumadas a beber são resistentes ao álcool. Bebendo lentamente, o álcool é melhor tolerado. Bebendo-se durante as refeições, o organismo tolera melhor os efeitos do álcool. Indivíduos com atividade sedentária são mais suscetíveis à ação do álcool.
           Bebido em quantidades moderadas, o vinho aumenta o apetite, favorece as funções digestivas e exerce um efeito sedativo e antidepressivo. Possui ainda ação vasodilatadora, diurética e hepatoprotetora. Aumenta a resistência capilar e tem um efeito antivirótico, exercido pela concentração dos taninos. Protege contra a arterioesclerose e incrementa a produção de colesterol HDL. É um estimulante respiratório e benéfico para as coronárias.
          Os vinhos brancos são mais apropriados para pessoas de pressão baixa e calmas; por sua vez, os tintos favorecem os indivíduos de pressão alta e mais agitados.
         Os diabéticos podem consumir vinho normalmente, desde que secos. Aliás para essas pessoas o álcool do vinho é muito útil, seja como fornecedor de calorias -que o diabético não pode buscar no açúcar-, seja porque sua necessidade calórica é satisfeita sem que tenha que recorrer a
insulina.

sábado, 27 de junho de 2015

LEITE, OVO E AÇÚCAR NO VINHO

          Todos nós estamos acostumados com o verso: "Tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim" na voz deliciosa de Paulinho da Viola.
          Alterações também acontecem no mundo do vinho. Há pouco bebi um vinho português: VINHA DO MARCO elaborado, claro, com uvas viníferas europeias. Mas que no rótulo acusava: "contém sulfitos, proteína de leite e de ovo" (negrito meu). E o clássico "não contém glúten" em letras garrafais no rótulo.
          O VINHA DO MARCO é engarrafado por uma empresa de Bucelas, Portugal.

          O objetivo da adição de proteínas de leite ou ovo, descobri, é a "clarificação": "Batem-se algumas claras de ovo muito frescas com um pouco de água e adicionam-se ao vinho na proporção de uma clara para cada 25 litros de vinho; agita-se energicamente e depois deixa-se em repouso. Este método serve principalmente para os vinhos tintos". Isso segundo o manual "Livro de Ouro das Famílias" organizado por Searom Lael e publicado por Arthur Brandão & C.ª aproximadamente no primeiro quartel do século XX em Portugal.
          Fato curioso é a publicação "não contém glúten" (uma proteína do trigo) numa bebida feita exclusivamente de uva fermentada. É tão absurdo quanto se essa inscrição constasse numa garrafa de água mineral ou de Coca-Cola. 
         Agora, no caso do vinho, se constasse a advertência "Não contém açúcar", seria apropriada porque a adição de açúcar ao vinho é um tema tabu. Adiciona-se açúcar ao vinho como "ingrediente" e não menciona-se isso no rótulo.  Uma exceção à regra era o vinho Chalise da cantina Salton que mencionava entre os ingredientes: "açúcar" (não "sacarose"). Mas recentemente o Chalise mudou de rótulo e apagou a menção ao açúcar.
       Pra mim ovo ou leite para "clarificar" não me interessam. Gosto de vinho com aparência de café bem forte e prefiro beber em canecas de porcelana branca que em taças transparentes. Justamente porque na caneca o vinho fica mais escuro.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

VINHO E ANTIBIÓTICOS

Atenção amantes do vinho. Não levem a sério o MITO URBANO segundo o qual quem está fazendo uso de antibióticos não pode consumir bebidas alcoólicas. Lembrando que vinho é hábito alimentar.


Todo mundo já ouviu falar sobre o mito comum de que bebidas alcoólicas jamais devem ser misturadas com antibióticos. É verdade que o álcool pode interagir com alguns poucos medicamentos, causando náuseas, vômitos, convulsões, cólicas abdominais, dores de cabeça, erupções na pele e aceleração do ritmo cardíaco, mas a maioria destas interações é bem conhecida dos médicos.

O que vale realmente é o fato de que o álcool pode exercer uma carga extra de trabalho sobre o fígado e o sistema imunológico, além de prejudicar sua capacidade de julgamento, liberando tendências agressivas e reduzindo os níveis de energia do organismo.

Apenas algumas classes de antibióticos devem ser evitadas quando se está ingerindo bebidas alcoólicas. É importante abster-se completamente de álcool se você estiver utilizando os seguintes antibióticos:

• Metronidazol: os efeitos colaterais incluem erupções cutâneas, falta de ar, dor de cabeça, batimentos cardíacos acelerados ou irregulares, queda da pressão arterial, náuseas e vômitos.
• Tinidazol: é quimicamente semelhante ao metronidazol e pode causar as mesmas reações.
• Furazolidona.
• Griseofulvina.
• Antimaláricos (Quinacrina).
• Sulfametoxazol.

FONTES:
Referências Bibliográficas

1. Richards D, Aronson J. Oxford Handbook of Practical Drug Therapy. Oxford University Press, 2005 Edition.

2. Dale DC (Editor). Infectious Diseases: The Clinician's Guide to Diagnosis, Treatment, and Prevention. WebMD Professional Publishing, 2003 Edition. x

3. Katzung BG, Katzung B. Basic & Clinical Pharmacology – 9th edition. McGraw-Hill Medical; 2003.

Copyright © 2010 Bibliomed, Inc.